Ucrânia pede a civis que fujam do leste; contagem de mortes de ataque a estação de trem cresce

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Jornal Lagoa News
Sobe para 52 o número de mortos após ataque russo a estação de trem na Ucrânia

Sobe para 52 o número de mortos após ataque russo a estação de trem na Ucrânia
Fadel Senna/AFP – 08.04.2022

A Ucrânia está pronta para uma dura batalha com forças russas se acumulando no leste do país, disse o presidente ucraniano Volodmir Zelenski neste sábado (9), um dia depois de um ataque com míssil que matou mais de 50 civis que estavam fugindo da região, segundo autoridades.

Alarmes de radares aéreos tocaram em cidades no leste da Ucrânia, que se tornou o foco do Exército russo após recuos em regiões próximas à capital, Kiev.

Após o ataque desta sexta-feira (8) contra uma estação de trem lotada de mulheres, crianças e idosos na cidade de Kramatorsk, região de Donetsk, autoridades pediram a civis da vizinha região de Lugansk que começassem a fugir.

“Sim, forças [russas] estão se reunindo no leste [da Ucrânia]”, disse Zelenski em uma entrevista coletiva conjunta com o chanceler austríaco, Karl Nehammer, em Kiev.

“Será uma batalha dura, nós acreditamos nesta luta e na nossa vitória. Estamos prontos para simultaneamente lutar e buscar maneiras diplomáticas de pôr um fim nesta guerra”, acrescentou Zelenski.

A invasão da Rússia, que começou em 24 de fevereiro, forçou mais de 4 milhões de pessoas a fugir para o exterior, matou ou feriu milhares, deixou um quarto da população desabrigada e transformou cidades em cinzas.

As mortes de civis geraram condenações internacionais, especialmente os assassinatos em Bucha, cidade ao noroeste de Kiev que até semana passada estava ocupada por forças russas.

A Rússia negou estar tentando atingir civis no que chama de “operação especial” para desmilitarizar e “desnazificar” seu vizinho do sul. Ucrânia e nações ocidentais rejeitam essa justificativa, considerando-a um pretexto sem fundamento para a guerra.

Nehammer visitou a Ucrânia um dia depois da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen — visitas que tiveram o objetivo de ressaltar o apoio do Ocidente a Zelenski. Em outra medida parecida, a Itália afirmou que reabrirá sua embaixada em Kiev após a Páscoa.

52 mortos

O ataque com míssil de sexta-feira contra a estação de trem em Kramatorsk, um polo para civis que fogem do leste, deixou roupas manchadas de sangue e brinquedos e bagagens destruídos espalhados pela plataforma da estação.

O prefeito da cidade, Oleksander Honcharenko, que estimou que 4.000 pessoas estavam no local naquele momento, disse neste sábado (9) que a contagem de mortos havia subido para pelo menos 52.

O ministério da Defesa da Rússia negou responsabilidade, dizendo em um comunicado que os mísseis que atingiram a estação estavam sendo usados apenas pelo Exército da Ucrânia e que as Forças Armadas da Rússia não tinham um alvo determinado em Kramatorsk na sexta-feira.

A televisão estatal da Rússia descreveu o ataque como uma “provocação sangrenta” da Ucrânia.

Em Washington, uma autoridade sênior da Defesa disse que os EUA não aceitaram a negação da Rússia e acreditam que as forças russas dispararam um míssil balístico de curto alcance no ataque.

A Reuters não foi capaz de verificar detalhes do ataque.

Honcharenko afirmou que espera que entre 50 mil e 60 mil pessoas da população de 200 mil habitantes de Kramatorsk permaneçam na cidade em até uma ou duas semanas, enquanto as pessoas fogem da violência.

O Exército ucraniano diz que Moscou está se preparando para tentar ganhar controle total das regiões de Donetsk e Lugansk no Donbass, que foram parcialmente tomadas por separatistas apoiados por Moscou desde 2014.

Ataques aéreos devem ser intensificados no sul e no leste, com a Rússia tentando estabelecer uma ponte entre a Crimeia — que Moscou anexou em 2014 — e o Donbass, mas as forças ucranianas estão atrapalhando os avanços, disse o ministério da Defesa do Reino Unido.

O Exército russo disse neste sábado que destruiu um armazém de munições na Base Aérea de Myrhorod, no centro-leste da Ucrânia.

 

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Rubens Britto

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