Por que os escoteiros e as escoteiras estão em ‘guerra’ nos EUA

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Jornal Lagoa News
Desde que a Boy Scouts começou a recrutar meninas, várias tropas de escoteiros formadas só por meninas foram criadas

Desde que a Boy Scouts começou a recrutar meninas, várias tropas de escoteiros formadas só por meninas foram criadas
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Uma campanha de recrutamento está no centro de uma batalha legal entre as duas principais organizações de escotismo dos Estados Unidos.

Em 2018, a Boy Scouts of America, que é originalmente exclusiva para meninos, tirou a palavra boy (menino, em inglês) do nome de seu programa de recrutamento para crianças mais velhas, com idades entre 11 e 17 anos, e passou a aceitar meninas entre seus integrantes.

A organização disse na época que também estava mudando o nome do programa para Scouts BSA para se adequar à mudança e se tornar mais “inclusiva” — o nome da organização foi mantido como Boy Scouts of America, assim como o programa para crianças mais novas continuou a ser chamado de Cub Scouts (cub significa “filhote” em inglês).

Mas a organização Girl Scouts, que é voltada para meninas, protestou, alegando que a mudança seria prejudicial para sua marca e entrou com uma ação na Justiça em novembro de 2018, por violação de marca registrada.

A Girl Scouts diz que muitos pais inscreveram suas filhas por engano no Scouts BSA pensando que era o programa para meninas, disseram os advogados da organização.

Em resposta, os escoteiros acusaram as escoteiras de iniciar uma “guerra”. No mês passado, advogados da Boy Scouts pediram a um juiz que rejeitasse o processo. A organização nega que a mudança tenha causado confusão.

Em um comunicado divulgado no sábado (25/12), a Boy Scouts disse que isso é “não apenas impreciso, mas também ignora as decisões de mais de 120 mil meninas e mulheres jovens que se juntaram ao Scouts BSA ou ao Cub Scouts”.

Disputa por membros

 

Mudança de nome seria para refletir que a organização hoje é mais 'inclusiva', diz sua diretoria

Mudança de nome seria para refletir que a organização hoje é mais ‘inclusiva’, diz sua diretoria
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Em outubro de 2017, a diretoria do Boy Scouts of America votou unanimemente para abrir o clube centenário a todas as crianças, independentemente do gênero.

“À medida que entramos em uma nova era para nossa organização, é importante que todos os jovens possam se ver no escotismo de todas as maneiras possíveis”, disse Michael Surbaugh, chefe-executivo da Boy Scouts of América. Ele acrescentou que queria tornar a organização mais “inclusiva”.

O movimento desencadeou uma forte reação online, inclusive do filho do presidente Donald Trump. “Estranho, eu pensei que era para isso que as Girls Scouts serviam???”, tuitou Donald Trump Jr.

Desde que a Boy Scouts começou a recrutar meninas, várias tropas de escoteiros formadas só por meninas foram criadas nos Estados Unidos.

A presidente da Girl Scouts, Kathy Hopinkah Hannah, acusou o grupo de iniciar uma “campanha secreta” para recrutar meninas para uma organização que tinha um declínio “bem documentado” de membros.

“Solicito formalmente que sua organização permaneça focada em servir os 90% dos meninos americanos que não participam atualmente dos escoteiros… e não considere expandir para recrutar meninas”, escreveu a Hannah ao presidente da Boy Scouts, Randall Stephenson.

A Boy Scouts afirma ter cerca de 2,3 milhões de membros nos Estados Unidos, um terço a menos do que tinha em 2000, em comparação com cerca de 1,7 milhão de membros da Girl Scouts.

 

 

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Rubens Britto

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