Número de mulheres aprovadas nas Fatecs salta 15% em um ano

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Tecnologia: Fatecs têm aumento expressivo de matrículas de mulheresTecnologia: Fatecs têm aumento expressivo de matrículas de mulheres  –  Pixabay

O número de candidatas aprovadas nos processos seletivos das Fatecs (Faculdades de Tecnologia do Estado) cresceu quase 15%, comparado ao 1° semestre de 2020. Com aprovação de 47,83%, o número de mulheres em Fatecs atingiu uma marca histórica — praticamente metade do número de novos estudantes.

No ano passado, do total de aprovados, apenas 33,12% eram mulheres. Os dados são da FAT (Fundação de Apoio à Tecnologia), responsável pelos processos seletivos das faculdades.

Diferente dos anos anteriores, por conta da pandemia do novo coronavírus, o processo seletivo foi realizado a partir da análise do histórico escolar dos candidatos. Foram avaliados os desempenhos nas matérias de português e matemática. O novo método de avaliação funciona desde o último semestre de 2020.

Segundo Ana Cláudia Melo, professora e coordenadora do CPS (Centro Paula Souza), em linhas gerais, “as empresas estão tendo a preocupação de aumentar a porcentagem da participação feminina, principalmente no setor de Tecnologia da Informação, diversas empresas têm feito campanhas e para a inserção da mulher no mercado de trabalho da tecnologia”, avalia.

Meninas na Área

 

Formada em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Fatec Ipiranga, Raquel Zamperlini, de 24 anos, observa as mudanças no ambiente, não apenas nas salas de aula, mas também no mercado de trabalho: “No meu primeiro curso, em 2016, as sala superlotavam, entre 50 e 60 pessoas, mas eu me lembro de ter cinco mulheres, no máximo”, lembra. “Hoje, observo uma diferença muito grande, um cenário praticamente oposto no curso de Big Data, que estou cursando atualmente”.

Raquel sempre estudou em escola pública e sempre se interessou pela área de tecnologia. Mesmo sabendo que maioria dos profissionais que atuam no setor são homens, a menina enfrentou preconceitos e contou com o apoio dos pais. “Percebi em alguns processos seletivos que havia um favorecimento aos candidatos, era estranho ver que em determinadas áreas somente homens passavam para a segunda fase do teste”, comenta.

Beatriz: feliz pelo movimento feminino em tecnologia

Beatriz: feliz pelo movimento feminino em tecnologia

Divulgação

Seguindo o mesmo caminho, a estudante Beatriz Rodrigues, de 17 anos, uma das aprovadas pela Fatec neste ano, também se diz feliz em fazer parte do movimento de ocupação feminina no mercado de trabalho tecnológico: “Eu me espelho em outras mulheres que atuam na área, elas mostram que é possível estarmos nesse meio que, muitas vezes, sequer nos da espaço de fala, muito menos de representatividade no setor”.

Nascida no interior de Minas Gerais, na pequena cidade de Luminárias, Bia, como é mais conhecida, cursa Gestão de Tecnologia da Informação, observa que o mercado é majoritariamente masculino, no entanto, as “mulheres estão ingressando com mais força, ainda existe uma grande barreira, temos de concorrer com diversos homens sabendo que o fato de ser mulher pode te prejudicar, mas sinto uma melhora.”

Apesar dos avanços, as áreas de ciências, matemática, engenharia e tecnologia são ocupadas majoritariamente por homens. Uma pesquisa da ONU (Organização das Nações Unidas), as mulheres representam 35% dos alunos matriculados nos cursos de exatas nas universidades e o percentual é ainda menor nas engenharias (de produção, civil e industrial) e em tecnologia, não chegando a 28% do total.

*Estagiário sob supervisão de Karla Dunder

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Rubens Britto

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