Indígena conquista bolsa para cursar o doutorado nos EUA

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Jornal Lagoa News

Jósimo Constant, 32 anos pertence ao povo indígena Puyanawa

Divulgação EducationUSA

Jósimo Constant (Kãdeyruya na língua nativa) pertence ao povo indígena Puyanawa da Aldeia Barão, no município Mâncio Lima (AC), fronteira com o Peru. Aos 32 anos de idade o jovem conquistou uma bolsa de estudos integral para realizar o sonho de cursar o doutorado em ciências políticas em uma universidade americana.

O jovem indígena foi aprovado no programa Oportunidades Acadêmicas pelo EducationUSA, órgão ligado ao departamento de estado americano que orienta pessoas que queiram estudar nos Estados Unidos.

Segundo Jósimo, o pai foi a maior inspiração e motivação nos estudos. “Meu pai é professor e desde pequeno me fez me apaixonar pelos estudos e entender a importância da educação para o nosso povo indígena”, conta. Quando criança, Jósimo se familiarizou com o inglês ao ouvir os missionários americanos que visitavam a aldeia. E aos sete anos de idade começou o processo de alfabetização com a língua portuguesa.

A história de Jósimo se traduz em determinação e inspiração. Na aldeia em que ele morava, só havia escolas com formação até o quinto ano do ensino fundamental e para continuar os estudos, o jovem precisou aprender a se adaptar na cidade. Com novos sonhos e objetivos, concluiu o ensino médio e ingressou na faculdade. Foi o primeiro indígena a se formar pela UnB (Universidade de Brasília) em Ciências Sociais com bacharelado em Antropologia e Sociologia. Depois concluiu o mestrado em direitos humanos.

“Eu enfrentei muitas dificuldades financeiras e também psicológicas durante os estudos na faculdade”, conta. “Mas eu tinha um objetivo, me formar e dar uma vida melhor para a minha família, meu povo”.

Jósimo (ao centro) com alunos selecionados na última edição do Oportunidades AcadêmicasJósimo (ao centro) com alunos selecionados na última edição do Oportunidades Acadêmicas  –      Divulgação EducationUSA

Fernanda Ribeiro do EducationUSA foi a orientadora do jovem indígena e conta: “Foi maravilhoso o tempo em que pude ajudá-lo, nós aprendemos juntos.” Para a orientadora a história de Jósimo é inspiradora. “Lembro dos momentos de desafios enfrentados durante os processos de aplicação para as universidades, mas em nenhum momento ele desanimou”, lembra. “Quando ele soube da aprovação, percebi que ele ficou surpreso e demorou um tempo para que pudesse assimilar essa grande conquista.”

Da aldeia à universidade: Jovem indígena fala sobre o estudo online

Assim que retornar ao Brasil após a conclusão do doutorado, o estudante sonha em criar políticas de saúde para a população indígena. Para o jovem, o estudo no exterior irá oferecer mais mais oportunidades para o seu povo, por meio de inserção de novas ideias e implementação de projetos sociais na comunidade.

“A saúde indígena no Brasil é pouco difundida”, diz. “É preciso haver mais interesse em nossa cultura para que possa existir a promoção de políticas públicas na área da saúde para o meu povo”, conclui.

Programa Oportunidades Acadêmicas
A nova seletiva para participantes interessados em se candidatar para mestrado e doutorado nos Estados Unidos tem a colaboração da Comissão Fulbright e Fundação Lemann e está com inscrições abertas e gratuitas até o dia 10 de outubro de 2021 através do formulário online na internet.

*Estagiário do R7 sob supervisão de Karla Dunder

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Jornal Lagoa News
Paulo da Costa
Jornalista e escritor, repórter do Jornal Lagoa News.

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