Brasil pode ser isolado do resto do mundo se não combater coronavírus com rigor

Para especialista da USP, nações podem fechar fronteiras para o Brasil, que não tem feito isolamento social de maneira rigorosa

Jornal Lagoa News

Jornal GGN – Responsável pelo Laboratório de Inteligência em Saúde da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto, Domingos Alves disse à BBC Brasil que o Brasil pode ficar “totalmente isolado” do resto do mundo se não seguir as recomendações sanitárias para o enfrentamento ao coronavírus, que inclui levar o isolamento social a sério.

Desde o começo da pandemia, a autoridade máxima do País, Jair Bolsonaro, vem discursando em sentido contrário, colocando a retomada da economia acima da saúde pública e incentivando as pessoas a saírem de casa.

O produto direto disso é que, mesmo com estados e prefeituras adotando restrições, o isolamento social no Brasil não tem sido “rigoroso” como na Europa e na Ásia. Lá, a quarentena conseguiu derrubar a taxa de reprodução do coronavírus para abaixo de 1.

Segundo o Imperial College de Londres, quando o índice está acima de 1, a pandemia continua fora de controle porque o crescimento ainda é exponencial. Um estudo divulgado ontem por um físico e um médico da USP aponta que a taxa no Brasil está em 1,4.

No cenário internacional, as nações podem entender que o Brasil não adotou esforços necessários para conter a pandemia e abrir as fronteiras para os brasileiros pode ser um perigo.

“Se a Coreia do Norte é isolada do mundo por questões ideológicas, o Brasil vai pelo mesmo caminho nas questões sanitárias. Vamos nos tornar uma Coreia do Norte nesse aspecto, uma pária internacional”, diz Alves à BBC.

Para ele, “o Brasil vem nadando contra a corrente. Quando esses países reabrirem as suas fronteiras, por que deixariam entrar brasileiros e colocar tudo a perder?”

Nos Estados Unidos, segundo a BBC, o número básico da reprodução do vírus é 1,11. Na Argentina, 1,16.

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Rubens Britto

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