Bolsonaro diz que queria incluir pergunta sobre a ditadura no Enem

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Jornal Lagoa News
O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro
Adriano Machado/Reuters – 24.11.2021

O presidente Jair Bolsonaro admitiu, nesta quarta-feira (24), que gostaria de ter interferido no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para incluir pelo menos uma pergunta sobre a ditadura militar.

“Não vou discutir se foi ou não foi ditadura militar. Mas queria, sim, botar uma questão lá, se pudesse, quem foi o primeiro general que assumiu em 1964? Castelo Branco. Em que data? Em 31 de março, 1º de abril, 2 de abril ou 15 de abril? A maioria do pessoal da imprensa erraria”, afirmou Bolsonaro, durante solenidade no Palácio do Planalto. O general Castelo Branco tomou posse em 15 de abril de 1964. 

“O que eu queria com isso? Não é discutir o período militar, é começar a história do zero. Isso a garotada tem que saber. O que aconteceu depois é outra história. Não tem governo 100% certo, que acerta tudo”, acrescentou.

Bolsonaro reclamou que a edição deste ano do exame contou com perguntas de cunho ideológico. “Acusaram a mim e ao ministro [da Educação, Milton Ribeiro] de ter interferido na prova do Enem. Se eu pudesse interferir, a prova estaria marcada para sempre com questões objetiva, e não com questões ideológicas que ainda saíram nessa prova. Educação é coisa séria, não é lugar de se fazer militância política”, ponderou.

Segundo Bolsonaro, nas últimas décadas, houve um “desvirtuamento” por parte de alguns professores “militantes que ficam imperando em sala de aula”. “Como é difícil a gente mexer na legislação que trata do ensino dentro do Brasil. Mas os parlamentares têm que perseguir essa legislação. Olha as provas do Enem como eram há pouco tempo. Questões que não tinham nada a ver com com o nosso futuro. Estamos, aos poucos, mudando isso”, disse.

Cara do governo

Antes da prova, o presidente chegou a afirmar que o exame teria a cara do governo. A afirmação motivou questionamentos sobre a independência do Inep, responsável pela prova. Além disso, servidores do órgão pediram demissão às vésperas do Enem. 

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, negou que o governo tivesse interferido no conteúdo das questões depois das declarações de Bolsonaro e, em coletiva, no domingo após a aplicação do teste. 

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