A preocupação na Coreia do Sul pelo 1º ano com mais mortes que nascimentos na história

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Jornal Lagoa News
 Número de nascimentos caiu drasticamente em 2020 na Coreia do Sul

Número de nascimentos caiu drasticamente em 2020 na Coreia do Sul

AFP

A Coreia do Sul registrou mais mortes do que nascimentos em 2020 pela primeira vez, levantando nova preocupação no país que já tem a menor taxa de natalidade do mundo.

Apenas 275,8 mil bebês nasceram no ano passado, o que representa uma queda de 10% em relação a 2019. O número de mortes, no mesmo período, foi de mais de 307,7 mil.

Os números levaram o Ministério do Interior a falar na necessidade de “mudanças fundamentais” em suas políticas.

Uma população em declínio impõe uma pressão imensa ao país. Além da maior pressão sobre os gastos públicos com o aumento da demanda por sistemas de saúde e pensões, o declínio da população jovem também leva à escassez de mão de obra, com impacto direto na economia.

 O envelhecimento da população exerce enorme pressão sobre um país

O envelhecimento da população exerce enorme pressão sobre um país 

AFP

Em dezembro, o presidente Moon Jae-in lançou várias políticas destinadas a combater a baixa taxa de natalidade, incluindo incentivos em dinheiro para as famílias.

De acordo com o programa, a partir de 2022, cada criança nascida receberá um bônus em dinheiro de 2 milhões de won (mais de R$ 9 mil) para ajudar a cobrir as despesas pré-natais, além de um pagamento mensal de 300 mil won (R$ 1.470) até o bebê completar um ano. O incentivo aumentará para 500 mil won (R$ 2.450) mensais a partir de 2025.

O que está por trás da queda da taxa de natalidade na Coreia do Sul?

 

 As políticas de emprego da Coreia do Sul não são apropriadas para mulheres que desejam ter filhos

As políticas de emprego da Coreia do Sul não são apropriadas para mulheres que desejam ter filhos

EPA

O que está por trás da queda na taxa de natalidade no país, em grande parte, é que as mulheres lutam para encontrar um equilíbrio entre o trabalho e outras demandas da vida na Coreia do Sul.

Hyun-yu Kim é uma delas. A mais velha de quatro filhos, ela sonhava em ter uma grande família própria. Mas, diante de condições que não são favoráveis ​​a formar uma família na Coreia do Sul, ela está reconsiderando seus planos de ter filhos.

Recentemente, ela aceitou um novo emprego e ficou ansiosa com a possibilidade de tirar licença-maternidade. “As pessoas me dizem que é mais seguro construir minha carreira primeiro”, disse ela à BBC.

A alta dos preços imobiliários é outro grande problema. Kim aponta que o rápido aumento dos preços dos imóveis também desencoraja os jovens casais.

“Para ter filhos, você precisa ter sua própria casa. Mas isso se tornou um sonho impossível na Coreia.”

Ela também não está convencida dos incentivos oferecidos pelo governo.

“É caro criar um filho. O governo fornecendo algumas centenas de milhares de wons extras não resolverá nossos problemas.”

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Rubens Britto

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